Sargento Max Wolf Filho à frente de seus homens

A rajada de metralhadora rasgou o peito do Sargento MAX WOLFF FILHO. Instintivamente, ele juntou as mãos sobre o ventre e caiu de bruços. Não se mexeu mais. O tenente que estava no posto de observação apertou os dentes com força, mas não disse uma palavra. Quando perguntado se o homem que havia tombado era o Sargento Wolff, ele balançou afirmativamente a cabeça. Menos de uma hora antes, falara de sua filha, uma menina de 10 anos de idade, e de sua condição de viúvo. Pediu para que enviassem um bilhete com os dizeres: "Aos parentes e amigos. Estou bem. À querida filhinha, Papai vai bem e voltará breve". As últimas palavras do sargento a um dos soldados que lhe pedira uma faca e ele respondeu sorrindo: "Tedesco não é frango". Wolff havia partido com seus homens, por sebes e ravinas, percorrendo a denominada "Terra de Ninguém". O primeiro objetivo da patrulha eram três casas, a menos de um quilômetro, que foram atingidas às duas horas da tarde. O grupo cercou as construções em ruínas e o sargento empurrou com o pé a porta de uma delas, nada encontrando. Às duas e meia da tarde, a patrulha estava a menos de cem metros do último objetivo a ser atingido: um novo grupo de casas sobre uma lombada macia. O Sargento Wolff deu os últimos passos à frente. Então, uma rajada curta e nervosa rasgou o silêncio do vale e o sargento caiu de bruços sobre a grama. Os outros homens se agacharam, rápidos, e os alemães começaram a atirar, bloqueando a progressão dos brasileiros com uma chuva de granadas e tiros de metralhadoras. Lançaram, em seguida, foguetes luminosos, pedindo fogos de suas baterias. Minutos depois, os projetis da artilharia nazista rasgavam o ar e explodiam no caminho percorrido pela patrulha. Por volta das dezenove horas, os homens da patrulha do Sargento MAX WOLFF FILHO retornaram ao PC do 11º RI. Mas ele ficara lá. Quando os padioleiros foram até a TERRA DE NINGUÉM recolher os corpos e os feridos, os nazistas os receberam com rajadas impiedosas. Muitos dos homens que voltaram tinham os olhos rasos de água. O Sargento estava morto. No estreito compartimento onde Wolff guardava seus pertences, estavam a condecoração que o General TRUSCOTT colocara em seu peito, poucos dias antes, a citação elogiosa do General MASCARENHAS e o retrato da filhinha, de olhos vivos e brilhantes como os do pai. Tudo, agora, muito vago.
 


Monumento Patrulha Sargento Max Wolff Filho


Estátua do Sargento Max Wolff, na EsSA